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A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Tudo bem. O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.
~ Chico Xavier (via prisioneiro-da-morte)
(Fonte: segredosdeumpoeta)
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Acontece que eu não sinto mais nada. Nem amor, nem ódio, furor, alegria, tampouco tristeza ou desalento. Parece que, dentro de mim, se abriu um buraco negro gigantesco, que suga aos poucos, todos aqueles sentimentos que, por anos, julguei importantes. Não preciso deles, não preciso mesmo. Eles são só meros complementos do que as pessoas chamam de vida feliz. Prender-se a sentimentos, coisas apalpáveis, não vistas, apenas sentidas e doloridas, não é confiante o bastante. É tolice, sabes por que? Porque a vida não gira em torno de amores, dores, idas e vindas. O mundo é supérfluo, materialista. Em um meio desse porte, poucos são os que se arriscam a seguir o coração. E acrescento: esses poucos são corajosos. Não tão fortes, mas corajosos. O fato de eu preferir fumar um maço de Marlboro na sacada do meu apartamento ao invés de sentar no sofá para ver filmes românticos e me debulhar em lágrimas não faz de mim uma pessoa vazia. Eu sou cheia, te garanto. De uma solidão tão aparente que chega doer os ouvidos de tão altos que são seus gritos.
Domingo eu estava entediada. Folheei algumas revistas, parei em algumas páginas, li uns artigos e joguei-as no sofá ao lado. Fiz um café bem forte e bebi metade da garrafa. Estava tentando parar de beber durante as manhãs em que me sentia sozinha. Fiquei encarando as paredes por um bom tempo. Não que eu sentisse falta de sentir algo que eu nunca havia experimentado, mas aquela situação de subordinação ao silêncio me deixava atônica e completamente… Deprimida. Com uma sensação de que o vazio não bastava tão grande, que eu gritaria, se pudesse. Minha voz foi abafada pelos meus pensamentos que, de tão altos, incomodou os vizinhos do último andar, fazendo-os despertar. Confesso que ri algumas vezes, quando percebi que eles resmungavam (não sei se por minha causa ou não). Gostava de ser inconveniente algumas vezes. Era divertido, fugaz. Me fazia sentir como se fosse uma criminosa psicológica. A loucura é sempre tão genial que chega a ser um pouco lúcida.
Fiz então, diante daquela situação branca, o que eu sou acostumada a fazer, você sabe… Pegar um punhado de folhas, duas canetas, e sair andarilho a fora, procurando algo tão surpreendente, que chegue a inspirar. Desci pelos degraus antigos do prédio que rangiam a cada vez que eram tocados pelos meus pés nada delicados. Ironia, eu sei. E você sabe também que eu sempre fui desorientada de tudo, e desastrada também. Dessa vez, esqueci de contar meus tropeços pelos degraus, me desculpe. Ando me afastando dos meus erros, e me aproximando das loucuras que, por ora, encontravam-se ocultas dentro de mim. Inacessíveis. Hoje, depois de tanto tempo vivendo numa escuridão desconhecida, arrependo-me de tê-las anulado. Preste atenção, minhas loucuras. Achava louco descer escada a baixo cantarolando uma e outra música; não o faço mais. Acordar os moradores com uma cantiga de vez em quando, por mais que atraia xingamentos, faz bem a alma. É vindouro.
Ao descer, encontrei seu Manoel, o síndico, parado na porta de entrada. Como de praxe, estava com as mãos cruzadas rente ao tórax, com uma expressão indiferente. Ao me ver, acenou com uma das mãos e desejou-me bom dia. Eu assenti. Sempre achei seu Manoel um velhinho simpático, embora fosse muito introspectivo, desses que seguem a risca o protocolo, e não deixam um sorriso sair descompassado de seu dia. Tudo segundo o script. Alguns moradores do prédio o tacham de piegas e mariquinha. Discordo. Por detrás daquela capa protetora, existe apenas mais uma pessoa, como todos nós, a fim de salvar-se da maré de nostalgia que nos ataca todas as manhãs. Seu Manoel era viúvo, não tinha filhos, e vivia em prol daquela portaria. Entrava e saía dia, e ele continuava lá, de pé, olhando o mar e toda a sua soberania. Ele tinha um pote de féu dentro de si, talvez por isso sua tão contínua introspecção.
Você sabe, nunca fui fã de mares, praias e tumultos, mas naquele momento, em que pus os pés na calçada suja com um pouco de areia, e comecei a ouvir uma canção que não sabia donde vinha, me senti obrigada a seguir por qualquer caminho, para observar as pessoas. Nota: dentro de mim, mesmo após toda a turbulência daquele avião em chamas, nada havia mudado. Oco, vazio e frio. Sem sentimentos, nem ressentimentos.
Andei por um bom tempo com aquelas folhas e canetas em mãos, as quais, vez e outra, eu batia contra os blocos, a fim de arrancar alguma melodia. Sorria. Eu era estupidamente feliz. Da minha maneira completamente grosseira e fútil, mas o era. Me era. Era incrível como aquelas situações de amor recíproco entre as pessoas por entre as pessoas pelas quais passava não me surtia efeito algum. Tirando uma em especial… Quando vi uma pequena menina, de no máximo 15 anos, sentada a beira do mar, com os olhos cheios de lágrimas e um tanto inchados, com uma foto em mãos. Ela era a materialização do sofrimento pós-relação. Senti um pouco de pena e quis ir lá consolá-la, mas achei melhor deixar para lá. Já havia passado por aquilo uma vez, você sabe. Quando fostes embora, lembra-se? Não aceitava conselhos, nem súplicas, nem pena, e acho que aquela pequena também não iria aceitar. Ainda mais vindo de uma desconhecida.
Fiz o trajeto de volta. Adentrei no prédio, dei boa tarde ao Seu Manoel, tropecei pelos degraus até chegar ao meu apartamento que, por ora, estava bagunçado, assim como deixei. Meu bloco, que carregara para essa andança, estava em branco. Minhas canetas, sem um pinto de tinta a menos. Minha cabeça fervilhava, e eu não sabia mais em quem acreditar. O no que. Porque, na realidade, percebi que não é o amor que nos complica, nós que o complicamos. E muito. Experiência própria, você sabe. Todas aquelas minhas tentativas transloucadas de querer uma história mais perfeita que os contos românticos dos Grimm, quando na verdade, aquela realidade torta e louca, já era perfeita. Se encaixava completamente bem em tudo aquilo que eu vivia, ou que eu sonhava, tanto faz…
Eu estava louca? Eu estou louca? Que diabos é sentir? O que é o amor? Por que ele existe? Por que as pessoas se machucam tanto com ele? Eu tinha perguntas, muitas perguntas. Contudo, nenhuma resposta era boa o suficiente para saná-las. Ouvi dizer que o amor é ser alguém, ou seja, materializar-se todo em sentimento. Mentira. Materializar-se em amor é suicídio, como assinar sua sentença de morte e entregar seu peito a um punhal. A partir desse dia, escrevi novos pilares pra minha vida: ser vazia, ser vazia, ser vazia, até achar alguém suficientemente bom para, então, transbordar-me de amor.
Domingo eu estava entediada. Folheei algumas revistas, parei em algumas páginas, li uns artigos e joguei-as no sofá ao lado. Fiz um café bem forte e bebi metade da garrafa. Estava tentando parar de beber durante as manhãs em que me sentia sozinha. Fiquei encarando as paredes por um bom tempo. Não que eu sentisse falta de sentir algo que eu nunca havia experimentado, mas aquela situação de subordinação ao silêncio me deixava atônica e completamente… Deprimida. Com uma sensação de que o vazio não bastava tão grande, que eu gritaria, se pudesse. Minha voz foi abafada pelos meus pensamentos que, de tão altos, incomodou os vizinhos do último andar, fazendo-os despertar. Confesso que ri algumas vezes, quando percebi que eles resmungavam (não sei se por minha causa ou não). Gostava de ser inconveniente algumas vezes. Era divertido, fugaz. Me fazia sentir como se fosse uma criminosa psicológica. A loucura é sempre tão genial que chega a ser um pouco lúcida.
Fiz então, diante daquela situação branca, o que eu sou acostumada a fazer, você sabe… Pegar um punhado de folhas, duas canetas, e sair andarilho a fora, procurando algo tão surpreendente, que chegue a inspirar. Desci pelos degraus antigos do prédio que rangiam a cada vez que eram tocados pelos meus pés nada delicados. Ironia, eu sei. E você sabe também que eu sempre fui desorientada de tudo, e desastrada também. Dessa vez, esqueci de contar meus tropeços pelos degraus, me desculpe. Ando me afastando dos meus erros, e me aproximando das loucuras que, por ora, encontravam-se ocultas dentro de mim. Inacessíveis. Hoje, depois de tanto tempo vivendo numa escuridão desconhecida, arrependo-me de tê-las anulado. Preste atenção, minhas loucuras. Achava louco descer escada a baixo cantarolando uma e outra música; não o faço mais. Acordar os moradores com uma cantiga de vez em quando, por mais que atraia xingamentos, faz bem a alma. É vindouro.
Ao descer, encontrei seu Manoel, o síndico, parado na porta de entrada. Como de praxe, estava com as mãos cruzadas rente ao tórax, com uma expressão indiferente. Ao me ver, acenou com uma das mãos e desejou-me bom dia. Eu assenti. Sempre achei seu Manoel um velhinho simpático, embora fosse muito introspectivo, desses que seguem a risca o protocolo, e não deixam um sorriso sair descompassado de seu dia. Tudo segundo o script. Alguns moradores do prédio o tacham de piegas e mariquinha. Discordo. Por detrás daquela capa protetora, existe apenas mais uma pessoa, como todos nós, a fim de salvar-se da maré de nostalgia que nos ataca todas as manhãs. Seu Manoel era viúvo, não tinha filhos, e vivia em prol daquela portaria. Entrava e saía dia, e ele continuava lá, de pé, olhando o mar e toda a sua soberania. Ele tinha um pote de féu dentro de si, talvez por isso sua tão contínua introspecção.
Você sabe, nunca fui fã de mares, praias e tumultos, mas naquele momento, em que pus os pés na calçada suja com um pouco de areia, e comecei a ouvir uma canção que não sabia donde vinha, me senti obrigada a seguir por qualquer caminho, para observar as pessoas. Nota: dentro de mim, mesmo após toda a turbulência daquele avião em chamas, nada havia mudado. Oco, vazio e frio. Sem sentimentos, nem ressentimentos.
Andei por um bom tempo com aquelas folhas e canetas em mãos, as quais, vez e outra, eu batia contra os blocos, a fim de arrancar alguma melodia. Sorria. Eu era estupidamente feliz. Da minha maneira completamente grosseira e fútil, mas o era. Me era. Era incrível como aquelas situações de amor recíproco entre as pessoas por entre as pessoas pelas quais passava não me surtia efeito algum. Tirando uma em especial… Quando vi uma pequena menina, de no máximo 15 anos, sentada a beira do mar, com os olhos cheios de lágrimas e um tanto inchados, com uma foto em mãos. Ela era a materialização do sofrimento pós-relação. Senti um pouco de pena e quis ir lá consolá-la, mas achei melhor deixar para lá. Já havia passado por aquilo uma vez, você sabe. Quando fostes embora, lembra-se? Não aceitava conselhos, nem súplicas, nem pena, e acho que aquela pequena também não iria aceitar. Ainda mais vindo de uma desconhecida.
Fiz o trajeto de volta. Adentrei no prédio, dei boa tarde ao Seu Manoel, tropecei pelos degraus até chegar ao meu apartamento que, por ora, estava bagunçado, assim como deixei. Meu bloco, que carregara para essa andança, estava em branco. Minhas canetas, sem um pinto de tinta a menos. Minha cabeça fervilhava, e eu não sabia mais em quem acreditar. O no que. Porque, na realidade, percebi que não é o amor que nos complica, nós que o complicamos. E muito. Experiência própria, você sabe. Todas aquelas minhas tentativas transloucadas de querer uma história mais perfeita que os contos românticos dos Grimm, quando na verdade, aquela realidade torta e louca, já era perfeita. Se encaixava completamente bem em tudo aquilo que eu vivia, ou que eu sonhava, tanto faz…
Eu estava louca? Eu estou louca? Que diabos é sentir? O que é o amor? Por que ele existe? Por que as pessoas se machucam tanto com ele? Eu tinha perguntas, muitas perguntas. Contudo, nenhuma resposta era boa o suficiente para saná-las. Ouvi dizer que o amor é ser alguém, ou seja, materializar-se todo em sentimento. Mentira. Materializar-se em amor é suicídio, como assinar sua sentença de morte e entregar seu peito a um punhal. A partir desse dia, escrevi novos pilares pra minha vida: ser vazia, ser vazia, ser vazia, até achar alguém suficientemente bom para, então, transbordar-me de amor.
~ Carla Mangueira, bailarinar (via waiting-u)
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Adoro sua voz. E da sua mão quente e do seu beijo calminho e intenso. Eu não gosto nunca de nada e gostei tanto de você.
~ Tati Bernardi (via segredosdeumpoeta)
(Fonte: quesejadoce-sempre)
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Um dia você conhecerá um cara que te chamará de linda. Primeiro de linda, depois de gostosa. Mas não é aquele cara que só chama de gostosa, tesuda e só quer trepar com você. Assim mesmo, trepar e tchau. Dá pra sacar quando um homem quer trepar e tchau. É fácil de detectar. Ok, se você quer trepar e tchau, então trepa e tchau. Eu estou falando de algo mais. Do que faz trepar e oi. Trepar e ficar. E ficar abraçado. E ficar conversando. E ficar sonhando junto. E ficar querendo ficar mais e mais (e trepar mais e mais?). Um cara que queira você como você é. Que você não precise impressionar. Que seja inteligente. Educado. Delicado. Na medida certa. Nem mais, nem menos. Que entenda seus momentos de fúria. Que ache você bonita mesmo descabelada. E suada. Que respeite seus momentos de raiva. Que saiba a hora exata de se abaixar para não ser atingido com algum objeto pontiagudo ou cortante. Que se importe com você. Que não goste de discutir, mas que escute todas as baboseiras malucas que você está a fim de falar. Que não seja chinelão demais, mas que não seja engomadinho demais. Que seja lindo. E cheiroso. E gostoso. Que fale de você para a mãe dele. Que diga que vai proteger você de animais selvagens como lagartixa, barata e sapos. Que não tenha medo de dizer que tem medo de algumas coisas. Que não fique dando uma de machão, ele pode ser fraco com você. Pode pedir ajuda pra você. Pode pedir conselhos pra você. E você dará com o maior prazer. Um dia você conhecerá um cara que fará você acreditar que vale a pena o esforço. Vale a pena alguma lágrima que cai. Vale a pena esperar por ele. Vale a pena sonhar, acordada ou não, com ele e com tudo que virá e com a forma que você quer que tudo seja. Aquele cara que conhece você. Que admira você. Que respeita você. Que tem intimidade com você. Liberdade. Que vai achar você linda mesmo que você não tenha passado um rímel sequer. Que você se sente à vontade pra andar na rua de qualquer jeito, nem que seja de calça jeans e havaianas e mesmo assim você estará a mulher mais maravilhosa do mundo. Que você não sinta vergonha de dizer “eu não sei”, pois ele vai te explicar o que você não sabe. Que ri dos seus risos. É solidário com seus receios. Que acha você idiota nos devaneios românticos. E que gosta da sua idiotice. E que gosta de você, mesmo você sendo uma grande chata de vez em quando. Que queira escutar as batidas que o seu coração dá. E queira andar com você de mãos dadas por aí… Pra qualquer lugar. E que, também, queira trepar muito com você.
~ Clarissa Corrêa (via worldstopped)
(Fonte: clarissacorrea)
